23 outubro 2018

[Resenha] O Colecionador

O COLECIONADOR

Autor: John Fowles | Ano: 2018 | Páginas: 256
Editora: DarkSide Books | Skoob


O livro conta a história de Frederick Clegg, um funcionário público, um tanto estranho, que adquire uma fortuna ao ganhar na loteria.

Clegg possui uma personalidade excêntrica, o tipo esquisito, não fala muito e não possui amigos. É totalmente introspectivo, recluso e inseguro. Seu único hobby é uma coleção de borboletas. 

Ele mantém uma paixão platônica por Miranda Grey, sentimento que chega a obsessão. Miranda é estudante de artes e o tipo de pessoa que jamais daria atenção a alguém como Clegg.  E ele a observa dia após dia.

“Sempre tentei acontecer à vida; agora, porém, já é tempo de a vida me acontecer, a mim…”

Com o dinheiro, o colecionador compra uma casa afastada e com cuidadosos preparativos ele deixa o lugar pronto para receber Miranda. 



Com a moça, que ele prefere dizer que é uma "hóspede", em seu poder, Clegg faz de tudo para agradá-la. Seu intuito é que o conhecendo melhor, ela venha a gostar dele e fique por conta própria.

"Por anos ele vem procurando algo para depositar sua loucura. E ele me encontrou."

Nessa primeira parte do livro, vamos acompanhar a visão de Clegg, suas intenções, motivações e suas ações. O leitor vai perceber toda dependência emocional que ele tem por Miranda. 

Na segunda parte, a visão já é de Miranda através de um diário feito pela moça dentro do cárcere. Aqui, além da situação assustadora e cruel em que se encontra, temos também um pouco de sua vida antes de tudo.

Confesso que  a primeira parte do livro foi para mim um pouco arrastada, eu demorei a me conectar com a história. Talvez pelo estilo de narrativa, um pouco mais lento.

Na parte de Miranda eu já comecei a sentir mais a tensão dos fatos e mesmo a mente doentia de Clegg, o levando a cometer tal atrocidade.

"Às vezes é como um tipo de feitiço, e eu preciso pôr a língua para fora e enrugar meu nariz para romper o encanto. Eu me sento aqui no silêncio absoluto com o meu reflexo, numa espécie de estado de miséria. Num transe."

O Colecionador é uma história perturbadora. É claro que Miranda não passa de mais uma borboleta para Clegg, a mais rara e  mais desejada. E com isso ele faz questão de tê-la em sua coleção, para observar e admirar.

Nesse ponto, a leitura flui e o leitor fica hipnotizado. Conhecer os dois pontos de vista, a do sequestrador e da vítima, foi muito inteligente. Isso desperta vários sentimentos e certo incômodo. Não há somente ódio por Clegg, ele desperta mais que isso.  Aqui, o que motiva o sequestro não é o valor financeiro e essa é a questão.



O curioso dos personagens é que mesmo Miranda sendo a vítima, a situação de dominação e submissão ocorre de ambos os lados. Ela é mantida em cativeiro e isso a deixa submissa, privada de sua liberdade forçosamente. Por outro lado, percebemos que Clegg, apesar de ter essa liberdade, é refém de seus sentimentos doentes. O diálogo entre os dois é cheio de sarcasmo, desprezo e superioridade por parte de Miranda. É a força física contra a inteligência e a manipulação.

"A solidão é insuportável. Toda vez que a porta abre, quero sair correndo. Mas eu sei que agora devo guardar minhas tentativas de fuga. Ser mais esperta que ele. Planejar. Sobreviver."

Em determinado momento você já consegue prever o desfecho de tudo, pelo menos para um dos lados. E é ai que entra vários questionamentos. Surpreendente!

Um ponto que também gostaria de citar nessa edição são as várias referências artísticas citadas ao longo da história. 

Recomendo para aqueles que gostam de um bom suspense psicológico.


Um comentário:

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