22 fevereiro 2018

[Resenha] O Som e a Fúria


O SOM E A FÚRIA
Autor: William Faulkner
Editora: Cosac Naify
Ano: 2012
Páginas: 384

Sinopse: O som e a fúria, de 1929, é considerada a obra mais importante de William Faulkner, prêmio Nobel de Literatura. O romance surgiu em um período de isolamento depois que o autor teve um livro recusado pelas editoras. Abalado, Faulkner investiu num estilo ousado, tecido por quatro distintas vozes narrativas e saltos inesperados no tempo. É dessa forma, permeada por tons bíblicos e ecos de tragédias gregas, que o escritor retrata a violenta decadência dos Compson, família aristocrática do sul dos Estados Unidos que parece viver num desnorteante presente em estado bruto.



Há grande dificuldade em se decidir por onde começar uma resenha desta forte história; a qual eu não trataria como a mais bela que já li, e sim a mais verdadeira. Sua estrutura narrativa é descrita como fluxo de consciência, estilo este que tem como um de seus precursores o próprio Faulkner. Mas retornando à questão da cronologia da obra é preciso dizer que é bem complicada. Temos que lidar com quatro narradores distintos, contando praticamente a mesma história através do ponto de vista de cada um, indo e voltando no tempo.

De qualquer forma, o que está sendo desenvolvida é a história da família Compson, uma família aristocrática do sul dos Estados Unidos que vê seu clã se desintegrar pela decadência econômica e moral que vive. 


O autor dividiu  o livro em quatro partes, ou seja, uma com cada narrador diferente: Benjamin ou “Benjy”, Quentin, Jason e um narrador não declarado ( ou o próprio Faulkner).



As duas primeiras partes são bem difíceis, pela confusão da narrativa; na primeira tudo se passa pela ótica de um autista, o Benjy, que sente as coisas muito pelo coração, e uma percepção aguçada pelos sentidos, onde as lembranças são ancoradas pelas sensações visuais, olfativas. Ele é encantado pelo universo dos irmãos, principalmente pela Candace, a irmã espevitada que, na minha opinião é quem mais dá vida à história.

O segundo narrador é o Quentin, irmão que vai estudar em Harvard após a família vender parte das terras para isso. Sua narrativa é sofrida e também sem cronologia; resume-se a um dia, em que circulando pela cidade ele pensa em sua insuportável dor, por tudo em que sua família se transformou, a letargia dos pais e a perda da inocência da irmã.

A terceira parte, narrada por Jason, como a nos elucidar os motivos do sofrimento de cada um, e delineia a personalidade desse irmão, um tanto amargo e ganancioso, que se acha merecedor de uma “indenização” por aturar os problemas da casa.

A quarta parte mostra a força, a fé e a capacidade de entrega da empregada negra Dilsey, que apesar de ser muitas vezes tratada com menosprezo mantém o pouco de dignidade que sobrou daquela família aristocrática nos eixos. Ela trabalha o dia todo para manter a casa em ordem, tenta sempre apaziguar as brigas entre Jason, a sobrinha e a mãe, além de, junto com seu neto Luster, cuidar do Benjy.



O Som e a Fúria” mostra os conflitos sociais de um tempo de mudanças sobre uma família que não soube aceitá-las e preferiu ser infeliz a buscar o entendimento por novos caminhos. Mas não é só tristeza e desavença, é também esperança, pois a mesma espécie (ser humano) que destrói pode construir. O autor mostra, por Dilsey, uma sensibilidade única, a capacidade de se sentir responsável por quem ela não deveria ser. Já que todo o resto é incapaz de amar, ela ama, ela cuida.

Faulkner imprime em seus personagens a agonia mental de pessoas atormentadas por seus próprios fantasmas. Um Benjy metódico e sistemático, que não aceita nem a mais pequena mudança de rotina sem entrar em colapso; um Quentin muito inteligente, mas depressivo e melancólico, que não consegue seguir a vida em virtude das escolhas da irmã Candace; um Jason amargurado pelas perdas de oportunidades de subir socialmente, e que julga a irmã infame e o irmão retardado como os principais responsáveis pela sua medíocre  vida.

É bem difícil, de primeira, ter a percepção de todos esses conflitos, e notar que a razão deles ocorrerem se deve ao fato de todos serem bem diferentes e não se aceitarem assim. No mais, em antigas entrevistas, o autor já havia dito que é proposital essa maneira de narrar, pois não tem a intenção de entregar facilmente o cerne da história, e que prefere nos presentear com pequenas pontas de fios para nós mesmos descobrirmos o enredo. 

O Som e a Fúria merece ser lido, e mais ainda relido!




6 comentários:

  1. Olá! Quero muito ler esse livro. Há anos venho adiando e criando coragem... A sua resenha mostrou que chegou a hora.

    Um abraço.

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    1. Fico feliz por ter estimulado o desejo da leitura. Vou esperar que você leia para discutirmos alguns pontos. Abraço.

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  2. Oi Jr.
    Adorei seu post!
    Este livro está na minha lista ha tempos.
    Gostei muito da sinopse e da sua percepção
    Bjs

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    1. Muito obrigado pelo incentivo! Não deixe de lê-lo, e então nos fale sobre seu entendimento, pois isso enriquece as discussões . Abraço.

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