15 agosto 2017

[Resenha] As Primeiras Vítimas de Hitler


AS PRIMEIRAS VÍTIMAS DE HITLER- A busca pela justiça
Autor: Timothy W. Ryback
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017
Páginas: 336
Skoob


SinopseCombinando uma extensa pesquisa historiográfica a uma narrativa em ritmo de thriller, Timothy W. Ryback conta em As primeiras vítimas de Hitler a impressionante história de Josef Hartinger, um jovem promotor alemão que lutou para esclarecer a controversa morte de quatro jovens judeus inocentes no campo de concentração de Dachau, a poucos quilômetros de Munique, em abril de 1933. O caso, que teria sido uma reação dos guardas a uma suposta fuga, já indicava os primeiros sinais do projeto brutal de extermínio que marcaria o regime de Adolf Hitler e que encontraria em Hartinger um dos primeiros opositores a arriscar a própria vida e a carreira em busca de justiça.






Este livro é um relato entristecedor do que se mostrou ser o início das atrocidades do holocausto, praticado por Hitler e seus seguidores, a partir de 1933. Em Dachau, numa antiga instalação de uma fábrica de pólvora desativada, os monstros nazistas iniciaram suas ações como se ali pudessem treinar a prática das atrocidades, para mais adiante disseminar por toda a Alemanha um dos comportamentos mais deploráveis que a humanidade pôde tomar conhecimento.

Os barracões desta antiga fábrica passaram a ser adaptados para receberem àqueles que eram detidos para averiguação de suas supostas ações políticas, num combate ferrenho ao comunismo da época. Havia um dispositivo legal que permitia essas prisões sem motivos aparentes, por um determinado tempo, no entanto, poucos estavam saindo desse lugar.




O espaço de Dachau estava se transformando num precursor dos campos de concentração do nazismo. A princípio sob o comando da polícia regular do país, a SA (Sturmabteilung), as ações desumanas não eram freqüentes, no entanto uma transferência gradual estava ocorrendo, permitindo que a SS (Schutztaffel) assumisse a operação do campo, atendendo melhor aos interesses do regime do terror.



A partir da integralidade do comando SS, surge a noticia da morte de quatro homens no campo de Dachau; três morreram imediatamente ao serem baleados e um quarto morre no hospital para o qual foi levado. Em cumprimento à lei em vigor, o comando notifica a promotoria local, encarregada de analisar as mortes de detentos, ao que entram em cena alguns homens de coragem de tempos tão difíceis.

Josef Hartinger é o promotor designado ao campo de Dachau, e para lá se dirigiu sem a mínima ideia da luta que travaria a partir de então, em busca de verdade e justiça. Os soldados, sob a alegação de que os homens mortos estavam empreendendo fuga e resistiram à ordem de parada, descreveram toda a história à Hartinger, que estranhou tamanha destreza e pontaria, já que todos foram atingidos na cabeça a uma distância considerável. Ele solicitou ao médico legista Moritz Flamm que examinasse os corpos e também a dinâmica dos tiros.

O exame de Flamm contestava a versão dos agentes da SS, sendo a morte dos quatro homens considerada as primeiras do genocídio judeu. O promotor passaria a investigar desde então uma série de mortes suspeitas, com cenas dissimuladas e atos forjados, para tentar iludir aos órgãos de justiça ainda operantes no país.

Hartinger e o médico Flamm insistentemente trabalham na reunião de provas para denunciar as atrocidades dos nazistas naquele campo de concentração. Corpos com ferimentos não condizentes ao ato de suicídio, versões discrepantes ao cenário encontrado e tantos outros absurdos são elencados aos relatórios, embasando uma denúncia necessária aos olhos da justiça e dos justos.


Ryback descreve de maneira muito envolvente, fundamentada em arquivos e relatos de envolvidos, um período de grande torpeza humana, mas um relato necessário ao nosso crescimento espiritual, nos revelando até onde o homem pode chegar com sua cegueira de bons princípios e a vaidade ilusória do poder, prevenindo-nos de semelhantes figuras posteriores.

Hartinger se mostra exemplo de coragem, colocando sua vida em risco, sob a certeza da justiça e de seu dever moral. O autor até conclui que se mais homens como ele não tivessem se calado ou omitido, talvez o holocausto não tivesse ocorrido.

A leitura flui muito bem, apesar de algumas descrições aterradoras. E vai além de suas próprias páginas, já que nos conduz a novas pesquisas sobre o tema; traz um universo de pensamentos ao nos colocar em situações tão difíceis, permitindo-nos perguntar: como chegamos a esse ponto?




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