23 agosto 2018

[Resenha] Sempre Vivemos no Castelo

SEMPRE VIVEMOS NO CASTELO

Autora: Shirley Jackson | Ano: 2017 | Páginas: 200
Editora: Suma | Adicione ao Skoob



Publicado originalmente em 1962, o livro narra a história de Mary Katherine ou Marricat, e de sua irmã Constance, que vivem com Julian, um tio adoentado. Elas vivem isoladas no casarão da família Backwood, isso desde que uma tragédia acometeu a família. Onde quase todos foram envenenados por arsênico no açúcar, só restando os três. E como Constance era a responsável pelas refeições da família, ela passou a ser a principal suspeita do crime. Ela é inocentada, mas passa a viver com medo e isolada das outras pessoas.

Para Marricat, narradora da história, tudo está bem do jeito que está. Ela vive com sua tão amada irmã, tenta todo dia ser gentil com seu tio e duas vezes na semana ela vai a vila, para fazer compras e trocar livros. E mesmo sendo hostilizada pelos moradores, ela continua a levar sua vida  sem se importar com isso.

"Marricat, disse Connie, você não quer uma xícara de chá? Ah não, disse Marricat, você vai me envenenar. Marricat, disse Connie, você não quer dormir? Lá no cemitério, com a terra a te engolir?"

Até que, um certo primo, Charles, aparece para visitar as garotas e Constance, que até então evitava contato com qualquer um, age diferente com ele. Porém, os motivos da vinda do primo são obscuros e ela não enxerga isso. 

Marricat atenta às mudanças com a chegada do primo e insatisfeita com o rumo das coisas, vê a necessidade de dar um jeito na situação, para proteger sua irmã e todo segredo que elas guardam.



Sempre Vivemos no Castelo é uma obra bastante peculiar e com isso vai dividir opiniões dos leitores. Alguns vão adorar o estilo da autora e outros, talvez nem tanto. Pois o terror de suas histórias não são propriamente dentro dos fatos e sim nos personagens.

Por isso não espere encontrar uma obra de terror com um clímax forte, não se trata disso, é um livro de mistério, com uma escrita bastante diferente da autora sobre o cotidiano das Blackwood após a tragédia. O ponto forte aqui é a narração feita por Marricat, com um humor mórbido e único.

"Todos os augúrios indicavam mudanças. Acordei numa manhã de sábado e pensei ouvi-los me chamando; eles querem que eu me levante, pensei antes de despertar de vez e lembrar que estavam mortos."

A morbidez no desenvolvimento das personagens deixa a escrita sombria e cheia de terror psicológico, a autora consegue traçar de forma fantástica a complexidade da mente humana. E com isso, mesmo não sendo uma obra onde você vai encontrar acontecimentos eletrizantes, você fica preso, pois instiga a mente a criar teorias e respostas.

O desfecho da história dá aquele arrepio e nos faz pensar que a sensação de felicidade é subjetiva a cada um. Bem insano e doido!

"Não gostava que me apontassem garfos e não gostava do som da voz nunca cessando; queria que ele botasse comida no garfo e enfiasse na boca e sufocasse."

Meu primeiro contato com a obra foi através do livro Juntando os Pedaços, onde ele é o preferido pela protagonista Libby. E eu, como sempre fico curiosa, por livros citados em outros, não pude deixar de conferir. 



Shirley Jackson, ainda é pouco conhecida no Brasil, eu mesma não a conhecia. Mas, isso é por aqui, a autora é uma das mais importantes autoras dos EUA do século passado. E que influenciou grandes autores, como Stephen King e Neil Gaiman.

Considerei uma obra diferente e instigante, o único pecado que aponto foi a falta de profundidade nos segredos, poderia ter sido um pouco mais explorado esse aspecto. Por outro lado, como é uma história cheia de peculiaridades, chego a pensar se não foi proposital esse aspecto, para aguçar ainda mais a mente do leitor com diversas possibilidades.

O livro vai ganhar adaptação para os cinemas esse ano e claro, não vou perder!



4 comentários:

  1. Oi Fê
    Menina, não tinha idéia deste livro.
    Ja tinha visto, na época do lançamento e achei a capa bonita, mas imaginei outra temática
    Adorei seus comentários, a resenha ficou ótima
    Vai pra lista tbe
    Bjs

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  2. Adorei a tua publicação. Obrigada:))

    Bjos
    Votos de uma óptima Sexta-Feira

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  3. Ao ler essa resenha, me lembrei de um outro livro, que o terror estava na mente da personagem principal, no caso. Eu até gosto de personagens assim, mas ela me deu um medo danado... confesso... Com esse livro, a sensação foi a mesma... Até que ponto a mente humana é capaz de fazer coisas, sejam elas boas ou ruins, né? Mas confesso que leria, pela curiosidade mesmo...
    BJks!

    Mundinho da Hanna

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  4. Ah, eu li esse livro por causa do senhor King que o mencionou em entrevista. E amei a maneira como retrata o isolamento e a neurose. Nunca me esqueci da maneira seca e direita como começa o livro: "Meu nome é Mary Katherine Blackwood. Tenho dezoito anos e moro com a minha irmã Constance" e pouco depois ela parece murmurar para quem a lê: "todo o resto da minha família morreu". rs
    Eu confesso que não conseguiria ser assim tão curta. rs
    bacio

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