19 agosto 2018

[Resenha] O Homem de Giz

O HOMEM DE GIZ

Autora: C. J. Tudor | Ano: 2018 | Páginas: 272
Editora: Intrínseca | Adicione ao Skoob



A história é contada por Eddie Adams e se desenvolve em dois períodos de tempo: em 1986, durante a infância de um grupo de amigos, permeada de acontecimentos macabros, acidentes e assassinatos e tudo interligado com algo em comum, figuras de "homens de giz", desenhadas pela cidade, nos locais dos crimes; e em 2016, trinta anos depois, com os amigos já adultos e alguns fatos trazem à tona eventos do passado.

Outono de 1986, os amigos Eddie, Gav Gordo, Hoppo, Michey Metal e Nicky vivem seus dias sempre em busca de novas aventuras, entre elas, um código secreto usado pelo grupo: pequenos homens de giz, rabiscados no asfalto. Porém, certo dia, os desenhos levam até o bosque, onde encontram um corpo mutilado e ninguém sabe quem foi o responsável pelos desenhos. 




Em 2016, mesmo cada um seguindo sua vida, Eddie ainda luta contra as lembranças. Até que, ele e seus amigos recebem uma  carta com um homem de giz enforcado, despertando as sombras do passado.

"Há certas coisas na vida que se pode alterar - o peso, a aparência, até o próprio nome -, porém há outras que são imutáveis, independentemente da força de vontade, do esforço e do trabalho árduo. São estas coisas que nos moldam: não as que podemos mudar, mas as que não podemos."

Antes de qualquer coisa, vamos falar sobre as semelhanças com It: A Coisa, de Stephen King. Primeiro o fato de a história girar em torno de uma turma de crianças, e logo depois com os amigos já adultos sob a tensão de um passado tenebroso. O segundo fato, é Nicky, que além de ser a única menina do grupo, é também ruiva, como a personagem Beverly de It. E por fim, está na ambientação da trama, em uma cidade pequena, outra característica de King. E isso gerou certa polêmica  sobre O Homem de Giz, um dos thrillers mais comentados do ano.

Se esse fato me incomodou? Na verdade não, apesar das semelhanças, não comparo C. J. Tudor ao mestre King, e nem daria para chegar tão perto, em tão poucas páginas, se compararmos os dois livros pelo tamanho. Então vamos conversar aqui sobre O Homem de Giz, de C. J. Tudor. 



Eu gostei muito do estilo da autora, ela explora muito bem a mente de Eddie e com isso manipula o leitor em relação ao que é fantasia do personagem ou não. E eu adoro isso!

"Talvez seja hora de dar um passeio na boa e velha estrada da memória. Só que não será um passeio por um caminho ensolarado de lembranças queridas. Essa rota específica é escura, um emaranhado de mentiras, segredos e buracos ocultos. E ao longo do caminho há homens de giz."

A escrita é fluída e viciante, o uso do suspense e do terror, além dos subtramas que ocorrem, conseguem prender e aumentar a curiosidade. E mesmo em alguns pontos quando você acha que as coisas estão começando a ficar óbvias, a autora surpreende com uma reviravolta.

Os personagens são muito bem construídos e todos possuem características e histórias interessantes. Amizade, religião e justiça também são temas bem abordados pela a autora, além de outros aspectos, tabus para a época.



O uso dos bonequinhos de giz, apesar de simples, dá aquela tensão na história, por ser um tanto assustador o aparecimento deles nos locais. Aqui podemos dizer que a autora teve uma boa sacada no que refere ao terror psicológico.

"Supomos coisas porque é mais fácil, mais preguiçoso. Isso nos impede de pensar demais. Geralmente sobre coisas que nos deixam desconfortáveis. Mas não pensar poder levar a mal-entendidos e, em alguns casos, a tragédias."

O final, vou ser sincera, não me agradou muito, apesar de ser meio perturbador. Mas eu esperava...

Por fim, considerei uma leitura inteligente, ágil e nostálgica, além de bem construída. Não vou dizer que seja um Stephen King, mas superou bastante minhas expectativas. Sem falar na edição belíssima da Editora Intrínseca, um show a parte! Bem caprichada, com capa dura e folhas de corte da cor preta, e ainda, cada capítulo é destacado também no preto. Maravilhoso!



5 comentários:

  1. Oi Fê!
    Macabro? Perturbador? Xiiii, eu não encaro esta leitura não...rs
    Sua resenha ficou ótima e a fotos estão muito bacanas! Você está caprichando cada vez mais, parabéns!
    Bjs

    ResponderExcluir
  2. Esses dias mesmo estava conversando com uma amiga sobre esse livro e ela me dizia ser o tipo de leitura que eu iria gostar, mas acabou não me contando quase nada sobre o enredo, além da questão dos bonecos de giz que levavam até um corpo. Mas esse seu post me deixou muito mais curiosa e interessada nessa leitura. Antes mesmo de você mencionar eu já fiz a relação com a obra do King, ainda mais porque assisti recentemente o filme It. E King é um dos meus escritores favoritos, então é bem difícil imaginar alguém que escreva como ele. Mas mesmo assim não me incomoda que a premissa desse livro seja parecida com a de It, pelo contrário, me deu ainda mais vontade de ler. Alguns coisas que você escreveu sobre a obra como o fato da autora explorar a mente de um personagem de forma a não sabermos o que é fantasia ou não; a escrita ser fluida e os personagens bem desenvolvidos e o final perturbador fizeram esse livro entrar definitivamente para a minha lista de leituras. E acho até que ele vai pular a fila e passar na frente de vários outros.

    ResponderExcluir
  3. Bom dia. Mais uma maravilhosa e intensa publicação. Adorei :))

    Hoje; Num silêncio da escuridão iluminada {POETIZANDO}

    Bjos
    Votos de uma óptima Segunda - Feira

    ResponderExcluir
  4. Oi Fê!
    Eu ando babando nessa edição da Intrínseca, eles realmente arrasaram! Eu gosto muito de capa dura (quem não ama né?!) e acho que valoriza muito o livro. Desde que a DarkSide apareceu as Editoras vem investindo mais em edições assim e isso é incrível!
    Detalhes à parte, eu fiquei super curiosa pela história. Ainda que alguns achem semelhante à IT, o que não posso dizer, já que nunca li o livro ou assisti a qualquer dos filmes, acho que o lance de cidade pequena, mais passado das crianças + avanço no tempo com a galera adulta é um pouco receita de bolo. Resta saber se o cozinheiro é bom e sabe preparar o bolo devidamente, ainda que os ingredientes possam ser os mesmos, cada um sabe dar seu toque especial. E, pelo que você relatou, a autora fez ótimo trabalho nesse quesito! Livro super destacado na lista de desejos!
    xoxo

    ResponderExcluir
  5. Estou doida para ler esse livro. E ainda bem que só se parece um pouco com It. Pq se parecesse muito, eu ia passar longe dele a partir de agora... rsrs Morro de medo daquele palhaço gente... :s
    Bjks!

    ResponderExcluir

Não saia sem deixar um recadinho pra nós!

© Conduta Literária ♥ 2017 - Todos os direitos reservados ♥ Criado por: Taty Salazar || Tecnologia do Blogger. imagem-logo