30 julho 2018

[Resenha] A Besta dos Mil Anos

A BESTA DOS MIL ANOS - Trilogia do Apocalipse

Autor: Ilmar Penna Marinho Júnior | Ano: 2010 | Páginas: 312
Editora: Jaguatirica | Adicione ao Skoob | Comprar
Livro cedido em parceria com a Oasys Cultural


A Besta dos Mil Anos é o primeiro livro da Trilogia do Apocalipse, do autor Ilmar Penna Marinho Júnior, publicado pela Editora Jaguatirica.

Na França, o renomado historiador e curador Ferdinand, auxiliado pelo padre Antoine, palestram sobre uma tapeçaria inspirada no Apocalipse. A peça está exposta no Castelo de Angers, uma fortaleza militar, que abriga o Museu de Armas Medievais, onde reúne uma coleção completa de bestas da guerra francesa. 

Infelizmente a tapeçaria foi retalhada e posta à venda, porém com sorte as peças foram reagrupadas e conservadas. Com essa restauração, seis peças foram recuperadas, cada uma contendo quatorze quadros com diversas cenas. No entanto, falta recuperar uma, o da cena 75, que faz parte da sétima peça, que traz a Besta aprisionada por mil anos.

Para recuperar a parte faltante é feita uma investigação e é ai que entram outros personagens na trama.

Leonardo Marcondes, que aparentemente parece ser somente um contador, casado com Ana e com um filho, é ambicioso e calculista, e não mede esforços para atingir seus objetivos. Com tanta ambição passa a trabalhar para a escória da sociedade e viver no meio da bandidagem, gente da mais alta perigosidade. 

Outro personagem é o sobrinho do padre Antoine, o policial e pesquisador, Aurélien. Ele é designado pelo governo francês para ir em busca do quadro que foi visto no Brasil, mais precisamente na favela da Rocinha.

E por fim, Júlia, fã de Tintin e jornalista no Rio de Janeiro, que é designada por seu chefe para uma reportagem sobre a violência na Rocinha e a vida dos moradores com os traficantes. 

"Júlia não encontrou na Rocinha somente uma história inédita de Tintin. Quis o destino que encontrasse a história de sua vida."

Após um incêndio criminoso numa ONG, suas vidas se entrelaçam e não serão mais as mesmas. A partir desse ponto uma série de eventos ocorrem na trama e todos ligados a tapeçaria perdida. 



O autor nos apresenta uma história com muitos temas como vingança, traição, ambição, religião, fanatismo e muitos crimes, um thriller policial eletrizante e envolvente. 

Entre o Brasil e a França, o leitor é transportado para um ambiente dividido entre fatos históricos e uma realidade nada agradável no Rio de Janeiro. E essa foi a parte que mais me chocou em toda a trama, a violência extrema. 

A realidade brasileira é pano de fundo para história e é mostrada de forma bastante direta, o que proporciona momentos de grande tensão durante a leitura, mas que vale e muito, para uma reflexão sobre os dias atuais.


"...um dos principais motivos para o crime organizado ter nascido, se expandido e atingido o atual estado de violência, seria (...): o crescimento incontrolável das cidades."


O suspense fica por conta da famosa cena desaparecida, que além de ser uma grande perda para os cristãos, há também todo simbolismo por detrás, que acredita-se que o diabo estaria a solta e espalhando maldade e violência para a humanidade. Por isso sua recuperação, seria o mesmo que aprisionar o demônio. 

O interessante é que essa parte também ultrapassa a ficção, existe mesmo a famosa tapeçaria bíblica no Castelo de Angers, na França. E eu curto muito isso  ter inspiração em fatos reais.


"(...) num mundo em que as emoções valem mais do que a história verdadeira (...)"


A escrita do Ilmar é repleta de detalhes e informações e por diversas vezes percebemos o coração acelerado pela adrenalina, principalmente nas partes passadas no Rio. Por isso, indico a leitura para aqueles que curtem uma boa investigação com um pano de fundo histórico. 




O final, para não sair da característica principal do livro, foi bastante dentro da realidade e já com um gancho enorme para o próximo volume, o qual já tenho aqui e em breve venho falar sobre a continuação com vocês.

E se quiserem saber mais sobre a tapeçaria e o Castelo, entre outras curiosidades da história, tem o site do livro: http://www.abestados1000anos.com.br/

Agradeço à Oasys Cultural pela oportunidade de mais essa leitura!


2 comentários:

  1. Um livro que me pareceu interessante :))

    Hoje: O meu sentimento não morreu.

    Bjos
    Votos de um óptima Segunda- Feira

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  2. Tenho a maior admiração pelos blogs literários sérios, competentes, que se dedicam a uma leitura inteligente e isenta de livros recentemente publicados. Do laborioso hobby do Conduta Literária resultam recomendações do que vale a pena ser lido e porquê. Fico muito agradecido, Fé Ahemi, pela sua leitura de A BESTA DOS MIL ANOS, resenhada sob os cuidados de sua fluída e convincente escrita. Sou muito grato pela narração detalhada de quem leu o livro com interesse e captou com um acurado senso crítico o que é importante transmitir para seus fiéis e numeroso seguidores, com destaque para a sua bem lançada frase sobre a dramaturgia da trama: “o que proporciona momentos de grande tensão durante a leitura, mas que vale e muito, para uma reflexão sobre os dias atuais.” Foi muito feliz porque foi exatamente o que pretendia transmitir para o leitor. Também gostei muito de saber que todo o trabalho criativo de ficção, tanto quanto possível, com base na realidade, encontrou eco na sua resenha: “E eu curto muito isso de ter inspiração em fatos reais”. Finalmente, como blogueira que ama “os livros e os animais”, vai gostar de saber, que no Livro II da Trilogia, ou seja, na continuação da Besta solta pelo mundo, um dos personagens é uma adorável cadelinha cooker...com certeza vai gostar de conhecê-la,...mas já fica sabendo de antemão: não deixarei que a rapte do meu convívio real...

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