20 março 2018

[Resenha] Os Desastres de Sofia

Olá!!!

Hoje é dia de Clarice Lispector aqui no Conduta Literária e o conto do mês, pelo Projeto Clarice-se, é Os Desastres de Sofia.




O conto é sobre o embate de uma garota com seu professor. Ela, uma menina de nove anos e ele, um adulto, grande, gordo e silencioso, assim descrito pela própria menina.

Ela se sentia atraída por ele, pelo seu silêncio e pelo controle da paciência diante da sala de aula, e com isso, ela passou a se comportar mal durante as aulas. Dificultando e atrapalhando o professor a todo instante, ele por sua vez, tentava frear Sofia.

“Não o amava como a mulher que eu seria um dia, amava-o como uma criança que tenta desastradamente proteger um adulto, com a cólera de quem ainda não foi covarde e vê um homem forte de ombros tão curvos. Ele me irritava.”

Essa relação impetuosa perdurou até que um dia, o professor pediu uma redação, ele contou uma história de cunho moral e pediu aos alunos que a reescrevessem com suas próprias palavras.

Na ânsia de ser a primeira a terminar e também de afrontar o professor,  Sofia com toda sua petulância, assim o fez, mas claro, dando um final totalmente diferente do esperado.

“Eu estava no fim da composição e o cheiro das sombras escondidas já me chamava. Apressei-me. Como eu só sabia “usar minhas próprias palavras”, escrever era simples.”

Momentos depois, ao ter que retornar para a sala na hora do intervalo, ela depara com o professor corrigindo as redações, e essa seria a primeira vez que ela estaria sozinha, frente a frente com aquele professor. E daí não vou contar o que ocorre, para não estragar com quem for ler o conto.

Os desastres de Sofia é a simbologia do primeiro amor de uma menina e toda a sua rebeldia dentro desse sentimento.  O mau comportamento da menina diante do professor é uma amostra de como ela procurava chamar a atenção dele e com isso, o deixava cada dia mais aborrecido, o que a levava a crer que, no fim, o professor a odiava.

Sofia é uma garota de apenas nove anos, que se sente confusa diante desse sentimento, um sentimento ainda puro, mesmo diante da sua rebeldia. Essa que na verdade, só é para tentar tirar o professor de frágil lugar. Era como uma espécie de jogo: ela amava-o, atormentando-o e não estudava, nem aprendia nada.

"Aprender eu não aprendia naquelas aulas. O jogo de torná-lo infeliz já me tomara demais. Suportando com desenvolta amargura as minhas pernas compridas e os sapatos sempre cambaios, humilhada por não ser uma flor, e sobretudo torturada por uma infância enorme que eu temia nunca chegar a um fim."

Clarice, no conto, se reporta à infância para falar de forma poética, de sua descoberta como escritora e ao mesmo tempo, uma homenagem ao mestre que tanto lhe ensinou o poder das palavras. 

Esse foi um conto um pouco mais longo da autora e, apesar de, parecer simples sua interpretação em um primeiro momento, eu encontrei algumas dificuldades.

Por isso deixo em aberto para outras interpretações para quem já tiver lido e queira dizer algo nos comentários.

Fiquem à vontade!

Os Desastres de Sofia está incluído na obra Felicidade Clandestina, de 1971. E o conto completo encontra-se aqui.






Um comentário:

  1. Oi Fê!
    Adorei saber mais sobre esse conto, ainda não li esse da Clarice e já vi outros posts aqui do projeto e adoro sempre ler as resenhas! <3
    Achei muito interessante o desdobrar da história, o conflito da criança em tentar chamar a atenção, em sem saber ao certo o que ai irrita e o que a atormenta na pessoa do professor.
    Clarice tem uma sensibilidade para passar mensagens através de situações cotidianas que é sem igual! <3
    xoxo

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