10 dezembro 2017

[Resenha] O Discurso Secreto


O DISCURSO SECRETO
Autor: Tom Rob Smith
Editora: Record
Ano: 2010
Páginas: 433
Skoob


SinopseA obra é uma sequência do sucesso "Criança 44".
União Soviética, 1956: Stálin está morto. Com isso, o violento regime começa a perder força, deixando para trás uma sociedade em que a polícia é o criminoso e bandidos são inocentes. Um manifesto secreto, escrito pelo sucessor do ditador, Khruschev, circula entre o povo. A mensagem é clara: Stálin foi um tirano e um assassino. A promessa, a União Soviética mudará.
Na União Soviética pós-Stálin, um discurso de seu sucessor Nikita Kruschov marca o período em que as brutalidades do regime stalinista começam a ser amplamente condenadas. Liev Demidov, ex-agente de segurança do Estado, vê-se confrontando pelos erros de seu passado. De suas próprias filhas adotivas, cujos pais biológicos foram mortos por ordem de Liev, à líder de gangue Fraera, cujo marido foi aprisionado em um gulag, personagens afetados por suas atividades profissionais vêm obrigá-lo a prestar contas sobre o seu envolvimento político.





O Discurso Secreto é o segundo livro da trilogia de Tom Rob Smith, num misto de ficção e história sobre o período em que Joseph Stálin esteve a frente da União Soviética e as mudanças latentes após sua morte. O autor nos coloca em uma atmosfera de tensão e suspense.






Liev Demidov e sua esposa, Raíssa Demidova, enfrentam severos desafios e sofrimentos para tentar construir uma família minimamente normal. Liev, ainda assombrado por suas ações do passado, onde aplicava rigorosamente as medidas de um Estado totalitário sobre os cidadãos inocentes, impingindo a cultura da desconfiança e da tortura e colaborando para a criação de uma sociedade paranoica, segue em busca de redenção com uma nova postura de vida, mais atento e perceptivo ao sofrimento alheio.





É claro que tal mudança deverá encontrar inúmeras resistências, mesmo num cenário com tendências de maior tolerância aos novos pensamentos. E como baliza para essa nova cultura surge o discurso de Nikita Khrushchov, um grande político à época, que imprime um texto reformista menos repressivo das liberdades individuais.

É neste cenário de conturbação que o casal terá de lidar com o seqüestro de uma das irmãs que por eles foram adotadas. O seqüestro tem por objetivo uma vingança por atos que Liev cometeu, e agora, para livrar a garota de seus algozes, o ex-agente da MGB terá de se submeter aos diversos perigos nas regiões mais remotas do país, e também fora dele.


Raíssa passa a ter dúvidas sobre continuar a ter Liev ao seu lado, não com relação ao amor que por ele sente, mas por temer pela segurança e bem estar das meninas, pelas quais dedica um sentimento de amor e cuidado incondicionais. Raíssa não temeria por nenhum segundo em colocar sua vida em risco pelas garotas.

Liev terá de articular, utilizando-se de toda a sua experiência em operações militares, um plano de ação para alcançar as reivindicações dos raptores de sua filha. Será preciso se infiltrar no mais tenebroso gulag, ao lado de inúmeros prisioneiros que ele mesmo mandou para lá, no período em que fez parte da MGB.

É sob esse cenário perturbador, às vezes tenso, outras emocionantes, que o autor nos insere num ambiente de repressão e dominação, com uma população vislumbrando ares de alguma liberdade. A postura de Liev reflete o desejo de mudança e a luta constante pelo perdão de seus erros, almejando a construção de relações mais profundas e empáticas.



Nessa continuação da série, ainda nos chocam determinados atos desumanos tão presentes na jornada pela sobrevivência, mas também nas posturas de revanchismo e vingança. Mesmo Liev sendo um personagem controverso acaba nos cativando por buscar a mudança, e nos faz pensar se sua ações pretéritas, tão reprováveis, não foram desencadeadas por um sistema político e social alienante e repressor, exigindo dos cidadãos uma cruel adaptação com o objetivo de apenas manter-se vivo.

Recomendo!


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