27 agosto 2017

[Resenha] O Retrato de Dorian Gray


O RETRATO DE DORIAN GRAY
Autor: Oscar Wilde
Editora: Martin Claret
Ano: 2005
Páginas: 177
Skoob


Sinopse: Dorian Gray é um belo e ingênuo rapaz retratado pelo artista Basil Hallward em uma pintura. Mais do que um mero modelo, Dorian Gray torna-se inspiração a Basil em diversas outras obras. Devido ao fato de todo seu íntimo estar exposto em sua obra prima, Basil não divulga a pintura e decide presentear Dorian Gray com o quadro. Com a convivência junto a Lorde Henry Wotton, um cínico e hedonista aristocrata muito amigo de Basil, Dorian Gray é seduzido ao mundo da beleza e dos prazeres imediatos e irresponsáveis, espírito que foi intensificado após, finalmente, conferir seu retrato pronto e apaixonar-se por si mesmo. A partir de então, o aprendiz Dorian Gray supera seu mestre e cada vez mais se entrega à superficialidade e ao egoísmo. O belo rapaz, ao contrário da natureza humana, misteriosamente preserva seus sinais físicos de juventude enquanto os demais envelhecem e sofrem com as marcas da idade.





Olá!!

E vamos a mais uma resenha do Desafio Cultura (mais informações na lateral do blog) e como o tema da vez seria um livro que foi lançado antes de 1900, escolhi O Retrato de Dorian Gray, cuja a primeira publicação foi no ano de 1890.

Dorian Gray é um jovem da alta sociedade inglesa dotado de uma beleza fora do comum, o que atrai muito a atenção das pessoas. Durante um jantar ele conhece um pintor de renome, Basil Hallward, que como muitos, fica encantado com a beleza do rapaz e pede para retratá-lo. Basil quer imortalizar a beleza perfeita de Dorian.




Basil fica tão encantado com o maravilhoso rosto de Dorian que passa a temer que após revelar sua pintura em público, estaria revelando sua própria alma, dessa forma resolve presentear Dorian com o quadro.

“Um retrato pintado com a alma é um retrato, não do modelo mas do artista.”

Nesse ínterim, Lord Henry, amigo de Basil, fica tão intrigado com a fascinação que o pintor cultiva por Dorian que acaba despertando sua curiosidade em conhecer o rapaz. 

Lord Henry passa então a apresentar a Dorian um outro mundo, totalmente crítico, onde a vaidade e o prazer são os fatores mais importantes na vida de uma pessoa e a beleza seu bem mais precioso.

Diante dos argumentos de Lord Henry, Dorian passa a refletir sobre sua beleza e a perceber o poder que ela exerce sobre as pessoas. Com tais pensamentos ele passa a temer que esse encanto termine, que a velhice e as marcas do tempo acabe com tudo. Ele começa a pensar que daria até mesmo a própria alma para que seu corpo permanecesse sempre como a pintura de Basil.




A partir desse ponto, somos apresentados aos pecados de Dorian e cada um deles não marca mais seu corpo e sim sua alma, em seu retrato. E sempre, durante todos os momentos, temos a figura de Lord Henry ao lado de Dorian, sempre a sussurrar e sugestionar o jovem, como uma tentação sem limites.


"A única maneira de se livrar de uma tentação é ceder-lhe."


Dorian com a convivência e por ser um rapaz de mente fraca, acaba deixando de lado seu lado sensível e bom e envereda por um caminho sem volta. Com o passar do tempo ele perde totalmente a noção da moralidade e se torna cada vez mais superficial e o que é pior, cruel e egoísta. Com sua alma aprisionada ao quadro, Dorian além de não envelhecer, se torna uma pessoa desprovida de emoções ou qualquer sentimento. Uma crítica do autor, a uma sociedade da época, que o que mais importava era a aparência e assim, os valores e a moralidade eram deixados de lado.

A leitura do livro não é nada fácil em si, pois mexe nas feridas mais profundas das mazelas humanas, além de conduzir a uma reflexão, o que pode incomodar um pouco o leitor mais sensível.




O autor vai fundo no que condiz o que o ser humano é capaz em nome da vaidade e do orgulho e mais ainda, o quanto alguém nada louvável pode influenciar o outro a ponto de mudar totalmente o modo de viver da pessoa, em um abismo sem fim. É agonizante pensar dessa forma. 

" – Boa influência é coisa que não existe, sr. Gray. Toda influência é imoral... do ponto de vista científico.
– Por quê?
– Porque influenciar uma pessoa é emprestar-lhe nossa alma. Essa pessoa deixa de ter ideias próprias, de ser natural. Tudo lhe vem de outrem. Qualidade, pecados, se é que existem... Torna-se o eco da música de outra pessoa."

Acho que de uma forma geral o livro pode dividir opiniões, ou você vai amar ou odiar, mas uma coisa é certa, incomoda. Por isso é uma leitura, que apesar da linguagem simples, se torna complexa e muito reflexiva.

Uma leitura um tanto filosófica e com uma carga psicológica grande, a qual recomendo para todos que apreciam os clássicos e histórias intensas.



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